Proporções: 3,5 x 7,8 m.
Material: Óleo sobre tela.
Cores: Não existe cor. Apenas: preto, branco e tonalidades
de cinza, exprimindo assim angústia, terror e destruição.
Local da ação: em uma cozinha. Pode-se ver claramente
uma mesa.
Na lateral direita superior (visão do observador) destaca-se a
figura de um homem com os braços levantados, boca aberta e pescoço
muito comprido. Essa figura pode simbolizar duas coisas: o homem, que
está apavorado, devido aos seus traços torcidos, tenta deter
as bombas que são lançadas sobre a cidade. Uma outra hipótese
é que essa figura faz analogia a figura principal da obra "Os
fuzilamentos" do 03 de maio de 1808 de Goya.
O fato de o quadro de Goya também ser motivado por um ato de brutalidade
contra pessoas inocentes reforça essa teoria.
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Na lateral direita inferior, pode-se ver a figura de
uma mulher que parece sair da escuridão para dentro do cone
de luz.
Sua expressão de completo esgotamento, como se carregasse um
grande fardo, e seu rosto erguido na direção da luz
pode ter uma certa semelhança com as imagens de Jesus Cristo
carregando a cruz.
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| Essa imagem talvez seja uma tentativa de exprimir o
sofrimento humano, mas sem simbolizar explicitamente o cristianismo. |
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No lado direito superior e ao centro, logo
ao lado da figura de um homem com os braços levantados, vemos
uma figura que parece surgir, suavemente, por debaixo das telhas.
Essa figura, com o rosto dominador, e que vem do infinito, olha horrorizada
para o cavalo ferido. Repare que ela está boquiaberta, como
se não acreditasse no que estivesse vendo. |
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| No centro superior da tela, próximo
à cabeça do cavalo, existe um braço, que se parece
como uma nuvem. A sua mão disforme segura uma lamparina a óleo,
muito comum nas casas de camponeses. |
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| Essa lamparina emana uma luz suave, que
talvez represente a luz da consciência. |
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Ao lado da lamparina, sobre a cabeça
do cavalo, está uma espécie de lâmpada elétrica.
Devido ao seu formato de sol, essa figura pode sugerir o "olho
de Deus", que vê tudo vê. Repare ainda que até
mesmo essa luz parece "gritar de horror". |
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Na parte central do quadro, vemos um cavalo
em agonia. Repare que ele está caído de joelhos, como
se estivesse sentindo as terríveis dores causadas pela lança
fincada em seu corpo e por uma enorme ferida ainda aberta.
A cabeça do cavalo está voltada para o touro. Da
boca do cavalo parece sair um rugido feroz, um misto de ira e dor.
Repare que esse "urro" parece estar direcionado para a
figura do touro, ao lado.
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| O cavalo pode representar a angústia
do povo espanhol. No entanto, essa figura é ambígua,
pois segundo alguns críticos de arte, o cavalo, devido aos
traços rígidos, que beiram o patético,
representam o general Franco. |
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No lado esquerdo da tela encontra-se o
touro. Essa é também é uma figura ambígua,
pois nele pode estar representada a resistência do povo espanhol.
No entanto, o touro, que representa brutalidade, pode simbolizar o
general Franco.
Repare que o touro está parado, abanando a cauda, como se,
"após um ataque bem-sucedido", recuasse para ver
os "estragos feitos no adversário" e se preparasse
para o próximo ataque. A presença do touro deve-se também
ao fascínio que Picasso sempre teve por touradas, esporte nacional,
que aparece freqüentemente em suas obras. |
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| Uma vez questionado sobre a ambigüidade
existente entre as figuras do touro e do cavalo Picasso disse: "Este
touro é um touro, este cavalo um cavalo (...). É preciso
que o público, os espectadores, vejam no cavalo, no touro,
símbolos que eles devem interpretar como os compreendem".
(extraído da obra Mundo; Homem; Arte em Crise de Mário
Pedrosa) |
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Dentre tantas figuras complexas existentes em "Guernica",
a mãe, que carrega uma criança morta nos braços,
talvez seja a de mais fácil interpretação.
Nessa imagem percebe-se claramente a dor que sente uma mãe
quando perde um filho. Não só essa mãe, ou
só as mães da cidade de Guernica, mas sim todas as
mães do mundo, ou seja, essa dor é a mesma dor que
tiveram as mães americanas e vietnamitas quando perderam
seus filhos na guerra do Vietnã.
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Em dias mais atuais essa dor é a
mesma dor das mães da Favela de Vigário Geral no Rio
de Janeiro, ao verem seus filhos brutalmente assassinados. É
também a dor das mães que viram seus filhos serem covardemente
assassinados no atentado do World Trade Center em Nova York.
Voltando a Guernica, o grito da mãe é representado por
sua língua pontiaguda, que nos faz lembrar um estilhaço
de vidro ou, até mesmo, um punhal. Vale lembrar que "cacos"
semelhantes aparecem em outras partes do quadro.
A figura da mãe ainda ajuda a aumentar um pouco a discussão
sobre o que pode simbolizar o touro e o cavalo.
Repare que a mãe está quase que envolvida pelo touro
e seu grito parece ir praticamente em sua direção.
Sob a ótica de que o touro simbolize o povo, a figura da
mãe procura a proteção do povo e "grita"
para compartilhar a sua dor com ele.
No entanto, sob ótica de que o touro o General Franco, pode-se
dizer que a mãe procura fugir, já com seu filho morto,
do meio de toda aquela brutalidade, pois ela parece caminhar em
direção à porta. No entanto, o touro a impede
de concluir seu intento. Essa teoria é reforçada pelo
próprio momento histórico: quando os sobreviventes
do ataque aéreo tentaram fugir para os arredores da cidade,
eles foram alvos das rajadas de metralhadora disparadas pelos caças
nazistas. Além disso, a semelhança entre a língua
pontiaguda da mãe com a língua, também pontiaguda,
do cavalo permite concluir que tanto o cavalo como a mãe
"gritam" de forma semelhante, ou seja, ambos são
vítimas da brutalidade.
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Toda a lateral inferior esquerda do quadro é ocupada por
uma figura totalmente mutilada, que pode ser assemelhada uma espécie
de guerreiro. Repare que, apesar de ter a cabeça e os braços
cortados, o guerreiro está agarrado a uma espada quebrada,
simbolizando assim a resistência do povo espanhol. Próxima
a sua mão, ainda contraída em torno da espada quebrada,
encontra-se uma flor, símbolo da esperança de uma
nova era.
A flor, símbolo da esperança, quase que unida à
espada, símbolo da resistência, juntas, podem transmitir
uma mensagem do tipo: "enquanto houver resistência haverá
esperança".
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