|
Pode até parecer brincadeira, mas não é. O papel higiênico realmente mudou a
sua vida e não foi só uma vez...
A primeira vez que o papel higiênico
mudou sua vida está relacionado à higiene: antes da invenção desse papel fininho
e absorvente que se desmancha na água as pessoas faziam sua limpeza íntima com
água, com folhas de vegetais como alface e urtiga (urtiga não, é brincadeira.)
e, segundo algumas “lendas”, com sabugos de milho (essa é difícil de acreditar,
mas, como nesse mundo existe louco para tudo, pode ser que seja verdade). Mas
depois do advento do papel higiênico, cuja invenção é atribuída aos chineses no
ano de 875, tudo mudou e a higiene do homem passou a ser muito mais confortável
além ter muito menos riscos (já pensou naquela folha de urtiga? E no sabugo de
milho??).
Ao longo de muitos séculos o ser humano e o papel higiênico tiveram uma
“união feliz”. No entanto, um dia, o nosso amigo do... ou melhor o nosso amigo
papel higiênico, mudou a nossa vida pela segunda vez. Isso ocorreu quando algum
empresário filho da ..., ou melhor, algum empresário com grande “senso de
oportunidade”, resolveu reduzir o tamanho dos rolos de papel higiênico de 40
para 30 metros. Uma diminuição de 25% do produto sem que existisse a respectiva
diminuição do preço.
Para não dar “na cara” esse empresário com grande
“senso de oportunidade” manteve o rolo de papel com a mesma aparência, ou seja,
graças a alguns ajustes nas máquinas que enrolavam o papel no tubo, o rolo de
papel manteve a mesma aparência e houve um “aumento disfarçado”. Surgiu ai a
famosa “maquiagem de produtos”.
Como isso foi feito “na calada da noite”, ou seja, sem a devida comunicação
ao consumidor, muitas pessoas se sentiram “enganadas” e reclamaram muito. Mas,
como os órgãos governamentais que cuidam desse tipo de problemas são compostos
por um monte de “bananas” – espere um pouco, as bananas não têm nada a ver com
essa história, então vou reescrever a frase – como os órgãos governamentais que
cuidam desse tipo de problemas são compostos por um monte de m... – essa frase
está complicada, acho melhor ficar com a primeira frase mesmo. – como os órgãos
governamentais que cuidam desse tipo de problemas são compostos por um monte de
“bananas”, ninguém fez “nada”, ou melhor, “quase nada”. A única coisa que o
Ministério da Justiça fez foi expedir a Porcaria, ops, Portaria 81, datada de 23
de janeiro de 2002, que, em linhas gerais diz: “quando ocorrer alguma
modificação no peso, quantidade, ou composição dos produtos vendidos, a
informação deve constar de maneira ostensiva nas embalagens”. Isso quer dizer
que, legalmente, as empresas possuem o direito de reformular livremente os seus
produtos, inclusive diminuindo o peso ou quantidade sem reduzir o preço. O que é
proibido é tal reformulação sem comunicá-las ao consumidor.
Pensando bem o Ministério da Justiça não fez nada mesmo! Pois as empresas
simplesmente ignoram essa Portaria e continuam maquiando seus produtos, ou seja,
reduzem “descaradamente” a quantidade e o peso de seus produtos sem informar, na
própria embalagem, que essa redução está ocorrendo. Para isso, muitas dessas
empresas usam a técnica da “Nova Embalagem”. Graças a essa técnica o produto
pode ser caracterizado como um produto novo o que dificulta ainda mais que a
empresa seja punida.
Os produtos maquiados mais comuns são biscoitos, fraldas descartáveis,
extrato de tomate, iogurtes, chocolates, achocolatados, sucos em pó etc. Mas
também é já existem refrigerantes, cervejas, e, acredite se quiser, medicamentos
e cartuchos para impressora.
O PROCOM tenta combater o problema e nos últimos anos várias multas já foram
aplicadas, mas como os valores dessas multas geralmente são bem menores do que o
lucro obtido com essa estratégia, os “empresários com senso de oportunidade”
continuam levando os seus produtos ao salão de beleza.
Está na hora do consumidor fazer a sua parte. Ao invés de simplesmente
aceitar essa situação passivamente, que tal parar de consumir produtos
maquiados? Afinal, como minha mãe sempre dizia: maquiagem demais faz muito mal a
saúde e, nesse caso, ao bolso também.
Eu já estou adotando essa prática e não consumo mais “as torradas
irresistivelmente crocantes da Baud...”, pois o peso passou de 200g para 160g
sem que houvesse a devida comunicação ao consumidor. Não consumo mais iogurtes
da Nes... Não consumo cerveja em lata com menos de 355 ml (tem uma fabricante de
cerveja que teve a habilidade aumentar visualmente o tamanho da lata de cerveja
e diminuir a quantidade de 355ml para 300ml).
Se perceber que algum produto foi “maquiado”, além de não adquirir o produto,
faça uma quixa no Procom (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor). A
orientação é do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC). As
reclamações serão encaminhadas ao departamento, que fará a averiguação da
denúncia. No site do DCPC (www.mj.gov.br/dpdc) o consumidor encontra a
relação dos processos instaurados contra empresas que maquiaram seus produtos.
Vamos todos combater a maquiagem de produtos, para que os empresários com
grande “senso de oportunidade” não nos façam a usar um outro tipo de maquiagem:
|