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Tinha nome de craque de futebol: Rivelino, homenagem que seu pai fez ao ídolo querido. Rivelino sempre comemorava o natal, para espanto de toda a família. Seu pai, que era gerente da boca de fumo no bairro onde ele morava, morreu numa noite de natal, há 7 anos. Rivelino tinha apenas 14 anos quando viu os policiais entrarem em sua casa, alguém não pagou a caixinha de natal dos policiais. O pai de Rivelino não tinha mais dinheiro, tudo já tinha sido passado para o dono da boca, mas os policiais, já bêbados naquela noite de festa, não queriam saber de conversa. O pai de Rivelino estava fantasiado de papai Noel, ia distribuir uns carrinhos para a molecada do bairro, mas isso não amoleceu o coração dos policiais. Rivelino viu seu pai ser espancado, e, quando já não podia mais quase ficar de pé, um deles resolveu dar um presente para o pai de Rivelino. "Negão, já que não tem dinheiro, vai ter que passar pela roleta russa". Pegaram o 38, tiraram cinco balas, rodaram o tambor e deram a arma para ele. "Vai negão, atira, senão a gente pega o teu moleque que está aqui". Ele pegou a arma com a mão trêmula, sem hesitar, colocou no céu da boca, dedo no gatilho, sabia o que tinha que ser feito. O presente era de chumbo, a arma disparou. Os policias saíram correndo assustados e Rivelino viu o pai agonizar no chão. Enquanto chorava ao seu lado, olhou o sangue escorrer de sua boca e manchar a roupa de papai Noel, e percebeu que havia uma diferença de tonalidades, o vermelho do sangue era mais escuro e deixou manchas na roupa que ele até hoje usa para distribuir os mesmos carrinhos, como seu pai distribuiu por tantos anos. É noite de natal, Rivelino vai até seu quarto, pega o 38 e fecha a porta. Todo ano ele faz isso, e ninguém sabe o que significa. Acham que está rezando, ou refletindo sobre a vida. Não. Rivelino está cumprindo seu ritual, tira cinco balas do 38, roda o tambor, aponta o cano no céu da boca, sem hesitar, e atira. Nada, o tambor roda, e as únicas explosões são dos fogos de artifício na rua. Antes de vestir a roupa de papai Noel e sair para distribuir os presentes, algumas palavras surgem em sua boca: "Por que, papai, por quê?".
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