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A filosofia sempre questionou a possibilidade de haver vida após a morte.
As religiões sempre deram ênfase ao continuar da consciência após a morte do
corpo físico. Há, ainda, aquelas que dizem que esse corpo, mesmo perecido, vai
voltar a animar-se no Juízo Final. Assim mesmo a maioria das pessoas tem medo da
morte. O que não deixa de ser cômico, senão trágico, afinal a única certeza que
temos nesta vida é que vamos todos morrer. Mas, o que impressiona é que cresce o
número de pessoas que têm medo da vida ou, ao menos, enfrentar as vicissitudes
da vida. Uma gente que não se anima com nada, sem planos, sem objetivos, só com
a cabeça cheia de sonhos, mas que não se agitam na construção da realidade. Há,
ainda, os que não conseguem lidar com sua própria vida e acabam por suicidar-se.
E, nesse gesto tresloucado, acreditem, não há coragem para enfrentar a morte ou
covardia para enfrentar a vida, há apenas desesperança. Mas, a maioria vive
apenas uma morte em vida. Uma gente que não busca ânimo em nada, é um viver sem
contentamento, sem esperança, sem sentido.
É gente que já se decepcionou
muito, ou está frustrado com o que conquistou na vida. Ou que trabalhou a vida
toda e agora não sabe o que fazer na aposentadoria. Casais que querem casamentos
perfeitos, que criaram falsas expectativas com relação ao outro e, como
casamentos perfeitos não existem, é fatal a frustração. É gente que espera
perfeição demais das religiões e dos religiosos, mas como não existem nem homens
nem instituições perfeitas, acabam caindo num materialismo pernicioso. A
plenitude da vida, pois, está no inverso. Está em reconhecer suas próprias
limitações e as dos outros. É buscar razão para continuar vivo, seja através da
elaboração de objetivos para si, ou trabalhando para o próximo (e sem
remuneração, isso sim dá sabor à vida). É nunca depositar confiança cega nos
homens e nas suas religiões-instituições, ao contrário, busque em si um
sentimento de religiosidade que o aproxime de Deus, isso é um sentimento inato,
não se aprende em nenhuma cartilha e não necessita de práticas
exteriores.
Viver plenamente é não fugir da vida e das responsabilidades
que ela nos cobra. É entender que o casamento é parceria, com lealdade e
fidelidade, e nunca pode ser um jogo de interesses ou a futilidade da “carinha”
bonita. É esquecer, um pouco ao menos, do possuir e pensar mais no construir.
Fazer a paz consigo e com a humanidade, enfrentar a vida com seus altos e
baixos, conhecer a si mesmo, é assim que se constrói uma boa vida antes da
morte.
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