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JOSÉ MARIA
FERREIRA DE CASTRO nasceu em Salgueiros, vila Oliveira
de Azeméis, Portugal, no dia 24 de maio de 1898. Filho de José
Eustáquio Ferreira de Castro e D. Maria Rosa Soares de Castro,
Ferreira Castro viveu boa parte de sua infância nesse modesto
local. Em 1904 entra na escola primária de Ossela. Dois anos
depois passa por sérios problemas financeiros por causa da
perda do pai.
Em 1911 emigra para Belém do Pará - Brasil, onde
trabalhar, por cerca de quatro anos, em um seringal da floresta
Amazônica. Essa fase, vivida em regime de semi-escravidão,
proporcionou-lhe o contato com os sofrimentos e injustiças
vividos pelo povo local, o que lhe serviu de "inspiração"
para escrever o romance "A selva", publicado em 1930.
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Por volta de 1914 deixa o Seringal e vai para Belém - PA. Os anos
seguintes lhe são muito duros, pois tem que se submeter a trabalhos
humildes para conseguir manter-se. Em 1916 consegue publicar o romance
"Criminoso por Ambição", cuja distribuição
era feita por ele mesmo.
A partir daí começa a colaborar com alguns jornais locais
(Jornal dos Novos e a Cruzada). No entanto a vida ainda lhe castiga muito
e o escritor chega a viver em estado de extrema miséria.
Sua situação começa a melhorar somente em 1917 quando
funda, juntamente com o também português João Pinto
Monteiro, um seminário intitulado "Portugal".
Em 1919, já com a situação financeira regularizada,
Ferreira Castro viaja pelo Brasil e faz vários contatos importantes.
No entanto, retorna a Portugal com a intenção de seguir
carreira literária.
Em 1920, funda, com Nuno Romano, o jornal "O Luso", que tinha
a intenção de aproximar o Brasil de Portugal. Esse periódico
se extingue alguns meses depois e, novamente, Ferreira Castro vive em
estado de extrema miséria.
| Pouco a pouco, começa criar relações
com pessoas que lhe abrem o caminho na vida jornalística.
Começa também a produzir e publicar romances: Carne
Faminta - 1920; O Êxito fácil - 1923; Sangue Negro
- 1923; A boca da esfinge - 1924; A morte Redimida - 1925 etc.
Segundo o professor Massaud Moisés, esses romances são
todos de "duvidosa valia a tal ponto que mais tarde o escritor
os renegaria". Apesar da "duvidosa valia" essas
obras, somadas a vários artigos escritos por Ferreira Castro,
fazem com que ele se re-estabeleça financeiramente e chegue
a ser eleito, em 1927, "Presidente do Sindicato dos Profissionais
da Imprensa". Ainda nesse ano passa a viver com Diana de
Lis.
Em 1928 funda e dirige, junto com Campos Monteiro, o magazine "Civilização".
Ainda nesse ano, publica o romance "Emigrantes",
que, além de receber elogios da critica em Portugal, marca
também o início definitivo de sua carreira de escritor.
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| Caricatura de Ferreira de Castro |
Em 1930 publica "A Selva", na qual resgata as experiências
vividas na Amazônia. Essa romance tornou-se um grande sucesso tanto
em Portugal como no Brasil. Isso porque a obra trata dos problemas sociais
vividos pelo povo da região Amazônia com objetividade e extremo
senso crítico. Em 30 de Maio deste ano morre sua companheira Diana
de Lis. Angustiado, interrompe suas atividades literárias e abandona
a direção do magazine "Civilização".
A obra "Eternidade" publicada em 1933, marca o seu retorno
as atividades literárias, que se prolonga até a sua morte,
ocorrida em 29 de Junho de 1974 na cidade do Porto.
Ferreira de Castro teve seus livros traduzidos para vários idiomas.
Sem sombra de dúvidas, as obras mais importantes de sua carreira
são "Emigrantes" e "A Selva", pois são
consideradas precursoras do Neo-Realismo
em Portugal.
::. Outras obras de obras de destaque:
Eternidade - 1933;
Terra fria - 1934;
Tempestade - 1940;
A lã e a neve - 1947;
A curva da Estrada - 1950;
A missão - 1954;
O Instinto Supremo - 1968;
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