MANUEL CARNEIRO
DE SOUZA BANDEIRA FILHO nasceu em Recife, em 19 de abril
de 1886. Ainda jovem, muda-se para o Rio de Janeiro, onde faz seus
estudos secundários. Em 1903 transfere-se para São Paulo,
onde inicia o curso de Engenharia na Escola Politécnica. No
ano seguinte, interrompe os estudos por causa da tuberculose e retorna
ao Rio de Janeiro. Desenganado pelos médicos, passa longo tempo
em estações climáticas do Brasil e da Europa,
onde toma contato com a poesia simbolista e pós-simbolista.
Nessa fase é que inicia-se realmente a produção
poética de Manuel Bandeira, conforme explica o crítico
Davi Arrigucci Jr.:
"A poesia de Bandeira (..) tem início no momento em
que sua vida, mal saída da adolescência, se quebra pela
manifestação da tuberculose, doença então
fatal. O rapaz que só fazia I versos por divertimento ou brincadeira,
de repente, diante do ócio obrigatório, do sentimento
de vazio e tédio, começa a fazê-los por necessidade,
por fatalidade, em resposta à circunstância terrível
e inevitável".
Em 1917 publica seu livro de estréia "A cinza das horas",
de nítida influência parnasiana e simbolista. Ainda nesse
período fixa-se no Rio de Janeiro, onde escreve poesia e prosa,
faz crítica literária e leciona na Faculdade Nacional
de Filosofia. Em 1919 publica a obra "Carnaval". Nessa
obra já faz uso do verso livre. Por isso, os Modernistas
viram em Manual Bandeira um precursor do movimento Modernista.
Bandeira influenciou tanto os jovens modernistas que Mário
de Andrade chamava-o de "São João Batista do
modernista brasileiro". Apesar disso, em 1922, por não
concordar com a intensidade dos ataques feitos aos parnasianos e simbolistas,
não participa diretamente da Semana de Arte Moderna.
No entanto, seu poema "Os
Sapos", lido por Ronald de Carvalho, provocou reações
radicais na segunda noite do acontecimento.
Entre 1916 e 1920, enquanto lutava contra a tuberculose, perde
a mãe, a irmã e o pai, passando a viver solitariamente,
apesar dos amigos e das reuniões na Academia Brasileira de
Letras, para a qual foi eleito em 1940. Devido a todas essas desilusões,
Manuel Bandeira tinha todos os motivos do mundo para ser um sujeito
mal-humorado. Não era. Ele sempre teve um sorriso simpático
e, apesar da miopia e de ser "dentuço", adorava
"ser fotografado, traduzido, musicado...". Apesar
de ser um homem apaixonado por mulheres, nunca se casou, ele dizia
que "perdeu a vez".
Em 13 de outubro de 1968, o poeta, que já contava mais de
80 anos, faleceu na cidade do Rio de Janeiro, vítima de parada
cardíaca, e não de tuberculose, doença o acompanhou
durante quase toda a sua vida.
Em toda a sua trajetória poética Bandeira nos mostra
a preocupação com a constante busca por novas formas
de expressão. Em seu livro de estréia, "A
cinza das horas" temos poemas classificados como parnasiano-simbolistas.
Já em "Carnaval", 1919, e "O ritmo dissoluto",
1924, percebermos que o poeta vai mais e mais se engajando com os
ideais modernistas. Em "Carnaval" temos ainda o início
da libertação das formas fixas e a opção
pela liberdade formal, que se tornaria uma das marcas registradas
de sua poesia. Em 1930, com a publicação de "Libertinagem"
temos um poeta totalmente integrado ao espírito modernista.
A obra "Libertinagem" apresenta alguns poemas fundamentais
para se entender a poesia de Bandeira: "Vou-me embora pra Pasárgada",
"Poética", "Evocação do Recife"
etc. Nessa obra surgem ainda os grandes temas de sua poesia: a família,
a morte, a infância no Recife e os indivíduos que compõem
as camadas mais baixas do país: os mendigos, as prostitutas,
os carregadores de feira-livre etc.
A principal característica da obra de Bandeira é,
sem sobra de dúvidas, o emprego do verso livre. No entanto,
isso não significa que Bandeira não fizesse uso das
formas fixas. Nas suas últimas obras ele utilizou-se muito
da forma mais clássica de todas: o soneto.
Os versos livres de Bandeira sempre foram escritos sem preocupações.
Ele não gostava de modificar nada. Até mesmo, segundo
o próprio poeta, o poema "Vou me embora para Pasárgada"
foi escrito dessa forma.
"Saiu sem esforço, como se estivesse pronta dentro
de mim"
Os principais temas de seus poemas foram: solidão, dor e
o medo da morte. O cotidiano de Santa Tereza, local onde morava,
era constantemente transformado em crônicas.
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::. Principais Obras
Poesia:
- A cinza das horas (1917);
- Carnaval (1919);
- O ritmo dissoluto (1924);
- Libertinagem (1930);
- Estrela da manhã (1936);
- Lira dos cinquent'anos (1940);
- Belo, belo (1948);
- Mafuá do malungo (1954);
- Estrela da tarde (1963);
- Estrela da vida inteira, incluindo todas essas obras,
é de 1966 e foi lançada para comemorar os
80 anos do poeta.
Prosa:
- Crônicas da província do Brasil (1937);
- Itinerário de Pasárgada (1954);
- Andorinha, andorinha (1966).
::. Confira abaixo alguns poemas de Manuel Bandeira
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| Manuel Bandeira em 1954 |
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| Assinatura de Manuel Bandeira |
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| Manuel Bandeira por Cândido Portianari |
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| Capa da obra Estrela da Manhã |
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| Capa da obra Libertinagem |
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| Manuel Banderia, desenho de Cândido Portinari |
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