Em 1920 já é integrante do grupo modernista
de São Paulo. Em 1921 está presente no lançamento
do Modernismo no banquete do Trianon. Ainda nesse Oswald de Andrade
publicou um artigo, no jornal do Comércio, no qual chamava
Mário de Andrade de
"meu poeta futurista",
Isso se deu porque ele leu os originais de "Pauliceia Desvairada",
livro que seria publicado no ano seguinte e representaria o primeiro
livro de poemas modernistas brasileiro. Mário de Andrade
respondeu negando sua condição de poeta futurista
da seguinte forma:
"Não sou futurista (de Marinetti). Disse e repito-o
Tenho pontos de contatos com o Futurismo. Oswald de Andrade chamou-me
de futurista, errou. A culpa é minha. Sabia da existência
do artigo e deixei que saísse."
Essa atitude de Mário é muito fácil de ser
explicada: Nessa época Marinetti, líder do movimento
Futurista, aderiu ao Fascismo e essa idéia era repudiada
pelos escritores brasileiros.
Entre agosto e setembro, Mário de Andrade publica no "Jornal
do Comércio" a série "Mestres do Passado",
na qual analisa a poesia de autores consagrados do Parnasianismo.
Em um desses artigos Mário diz:
"Malditos para sempre os Mestres do Passado! Que a simples
recordação de um de vós escravize os espíritos
no amor incondicional pela forma! Que o Brasil seja infeliz porque
os criou! Que o universo se desmantele porque vos comportou! E que
não fique nada! Nada! Nada!"
No ano de 1922, junto com Oswald de Andrade, participa ativamente
da Semana de Arte Moderna de 1922. No segundo dia de espetáculos,
durante o intervalo, em pé na escadaria, Mário de
Andrade lê algumas páginas da obra
"A Escrava
que não é Isaura". O público, como
já era esperado, reagiu com vaias.
Ainda nesse ano publica
Paulicéia Desvairada, cujo
"Prefácio Interessantíssimo" lança
as bases estéticas do Modernismo. Ainda nesse período
colabora com as revistas Klaxon, Estética, Terra Roxa e Outras
Terras e é nomeado professor catedrático do Conservatório
Dramático e Musical de São Paulo.
Em 1925, com o livro de ensaios "A Escrava Que Não
é Isaura" afirma-se no cenário literário
como um dos grandes teóricos do modernismo. Três
anos depois, em Macunaíma, misto de romance, epopéia,
mitologia, folclore e história, traça um perfil
do brasileiro, com seus defeitos e virtudes, criando a saga do
"herói sem caráter".
Por volta de 1934, Mário torna-se chefe do Departamento de
Cultura de São Paulo. Quatro anos depois, por motivos políticos,
afasta-se do cargo e muda-se para o Rio de Janeiro, onde exerce
o cargo de professor da Universidade do Distrito Federal. Lá
fica pouco tempo, a forte ligação com São Paulo
o fez regressar. A Segunda Guerra Mundial parece ter afetado profundamente
o poeta, que falece na tarde de 25 de fevereiro de 1945.
Em seu livro de estréia "Há uma gota de
sangue em cada poema", feito sob o impacto da Primeira
Guerra, Mário apresenta poucas novidades estilísticas.
Mas isso já foi o suficiente para incomodar a crítica
acadêmica. Sua poesia modernista só vem a tona no
livro "Paulicéia Desvairada", inspirada
na análise da cidade de São Paulo e seu provincianismo.
Nessa obra o autor rompe definitivamente com todas as estruturas
do passado.
Além de poesia, Mário de Andrade escreveu contos
e romances. Os contos mais significativos acham-se em "Belazarte"
e em "Contos novos". No primeiro, a escolha do assunto
predominante (o proletariado em seu problemático dia-a-dia)
mostra a preocupação do autor na denúncia
das desigualdades sociais. No segundo, constituído de textos
esparsos reunidos em uma publicação póstuma,
estão os contos mais importantes como "Peru
de Natal" e "Frederico Paciência".
Em seu primeiro romance, "Amar, verbo intransitivo",
Mário desmascara a estrutura familiar paulistana. A história
gira em torno de um rico industrial que contratou uma governanta
(Fräulein) para ensinar alemão aos filhos. Na verdade,
essa tarefa era apenas uma fachada para a verdadeira missão
de Fräulein: a iniciação sexual de Carlos,
filho mais velho do industrial.
Na obra "Macunaíma", classificada na primeira
edição como uma "rapsódia" (1) temos,
talvez, a criação máxima de Mário de
Andrade. A partir da figura de Macunaíma, o herói
sem nenhum caráter, temos o choque do índio amazônico
com a tradição e a cultura européia.
O romance pode ser assim resumido: Macunaíma nasce sem pai, na tribo dos índios Tapanhumas. Após a morte da mãe, ele e os irmãos (Maamape e Jinguê), partem em busca de aventuras. Macunaíma encontra Ci, Mãe do Mato, rainha das Icamiabas, tribo de amazonas, faz dela sua mulher e torna-se Imperador do Mato-Virgem. Ci dá à luz um filho, mas ele morre e ela também, (Ci se transforma na estrela beta do Centauro). Logo em seguida, Macunaíma perde o amuleto (muiraquitã) que ela lhe dera.
Sabendo que o amuleto está nas mãos de um mascate peruano que morava em São Paulo e que na verdade é Piaimã, o gigante antropófago, Macunaíma, acompanhado dos irmãos (Jiguê e Maanape), rumam ao seu encontro. Após inúmeras aventuras em sua caminhada, o herói recupera o amuleto, matando Piaimã. Em seguida, Macunaíma volta para o Amazonas e, após uma série de aventuras finais, sobe aos céus, transformando-se na constelação da Ursa Maior.
(1) rapsódia:
1. Cada um dos livros de Homero
2. P. ext. Trecho de uma composição poética.
3. Entre os gregos, fragmentos de poemas épicos cantados
pelo rapsodo.
4. Mús. Fantasia instrumental que utiliza temas e processos
de composição improvisada tirados de cantos tradicionais
ou populares: Fonte: Dicionário Aurélio