::. Menotti Del Picchia (1892-1988)
 
PAULO MENOTTI DEL PICCHIA nasceu em São Paulo, em 20 de março de 1892. Filho de Luiz del Picchia e Corina del Corso del Picchia, Menotti foi agricultor, advogado, editor, industrial, banqueiro, deputado estadual e federal, chefe do Ministério Público do Estado de São Paulo, jornalista, poeta, romancista, ensaísta, teatrólogo e primeiro diretor do Departamento de Imprensa e Propaganda do Estado de São Paulo.

Menotti Del Picchia inicia seus estudos no Grupo Escolar de Itapira. Em 1903 faz o curso ginasial em Campinas, de onde se transfere para Pouso Alegre (MG). Nesta cidade, aos 14 anos, funda o periódico "Mandu", nele publica suas primeiras produções literárias. Aos 16, já tinha escrito um romance, que, segundo ele, não passou de um "terrível pastiche do Conde de Monte Cristo".

Em 1913, lança o livro de poemas "Poemas do Vício e da Virtude". Nesse mesmo ano forma-se advogado pela Faculdade de Direito de São Paulo. Logo depois da conclusão de seus estudos em São Paulo, volta para Itapira, onde exerce as atividades de agricultor e dirige o jornal "Cidade de Itapira". Algum tempo depois funda o jornal político "O Grito", no qual foram publicados o romance "Laís" e os poemas "Moisés" e "Juca Mulato", sua obra de maior repercussão, que já teve dezenas de edições. O poema "Juca Mulato", publicado em 1917, foi tão importante e fez tanto sucesso que Menotti afirmou que era um autor perseguido por um personagem. (A força de "Juca Mulato" é tanta que Itapira, para homenagear Menotti, deu o nome de "Juca Mulato" a um parque. As homenagens de Itapira não param por aí. O nome do poeta foi dado a uma praça e foi criado o memorial "Casa de Menotti Del Picchia".)

Algum tempo depois, muda-se para Santos, onde dirige o jornal "A Tribuna". Ao regressar à cidade de São Paulo, exerce a função de redator em diversos jornais como "A Gazeta" e o "Correio Paulistano". Ainda em São Paulo funda o jornal "A Noite", dirige, com Cassiano Ricardo, os mensários "São Paulo" e "Brasil Novo". Em 1920 e 1921, Menotti Del Picchia, utilizando o pseudônimo de Helios, publica no jornal Correio Paulistano, vários artigos que divulgavam as novas estéticas modernistas e promoviam o grupo vanguardista.

Em 1922, junto com Oswald de Andrade, Mário de Andrade e outros jovens, participa ativamente da Semana de Arte Moderna. Nessa época já era considerado um poeta de prestígio. Após a SAM, junto com Cassiano Ricardo e Plínio Salgado, é um dos mentores do movimento nacionalista e literário do verde-amarelismo. Depois, com Cassiano Ricardo e Mota Filho, chefia o movimento cultural da Bandeira.

Em 1º de abril de 1943 é eleito para a cadeira 28 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Xavier Marques. Em 20 de dezembro de 1943 é recebido na ABL pelo acadêmico e amigo Cassiano Ricardo.

Em 1982, é proclamado Príncipe dos Poetas Brasileiros. Esse título só havia sido concedido a mais três poetas: Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Olegário Mariano.


Em 1988, no dia 23 de agosto, o poeta morreu em São Paulo.

::. Principais Obras

Poesia:

  • Poemas do vício e da virtude (1913);
  • Moisés (1917);
  • Juca Mulato (1917);
  • Máscaras (1919);
  • A angústia de D. João (1922);
  • O amor de Dulcinéia (1926);
  • República dos Estados Unidos do Brasil (1928);
  • Chuva de pedra (1925);
  • Jesus, tragédia sacra (1958);
  • Poesias, seleção (1958);
  • O Deus sem rosto, introdução de Cassiano Ricardo (1968).

    Romance:

  • Flama e argila (1920; após a 4a ed., intitulou-se A tragédia de Zilda);
  • Laís (1921);
  • Dente de Ouro (1923);
  • O crime daquela noite (1924);
  • A república 3000 (1930; posteriormente intitulado A filha do Inca, 1949);
  • A tormenta (1932);
  • O árbitro (1958);
  • Kalum, o mistério do sertão (1936);
  • Kummunká (1938);
  • Salomé (1940).

Literatura Infanto-Juvenil:

  • No país das formigas;
  • Viagens de Pé-de-Moleque e João Peralta;
  • Novas aventuras de Pé-de-Moleque e João Peralta.

    Teatro:

  • Suprema conquista (1921);
  • Jesus


::. Confira abaixo alguns poemas de Menotti Del Picchia

 
 
 
 
Capa da Obra "No país das Formigas"
 
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