| ::. Graciliano Ramos ( 1892 -1953 ) |
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Pode-se dizer que o romance é marcado pela idéia da fuga constante, o caminhar sem fim. “...A sina dele era correr mundo,andar para cima e para baixo ,à toa, como um judeu errante. Um vagabundo empurrado pela seca .” .. Um dos aspectos que mais impressionam na obra é o seu tema sempre atual. O romance, escrito entre 1937 e 1938, enfoca o problema da seca e as condições de vida miseráveis do sertanejo brasileiro. Condições essas que praticamente não se alteraram ao longo dos anos. Memórias do Cárcere O discurso, regido pela égide da opressão, é caracterizado pelo desdobramento: pois é psicológico, e, ao mesmo tempo, um documentário; é particular, mas universaliza-se. Leia abaixo um trecho da obra: “O mundo se tornava fascista. Num mundo assim, que futuro nos reservariam? Provavelmente não havia lugar para nós, éramos fantasmas, rolaríamos de cárcere em cárcere, findaríamos num campo de concentração. Nenhuma utilidade representávamos na ordem nova. Se nos largassem, vagaríamos tristes, inofensivos e desocupados, farrapos vivos, fantasmas prematuros; desejaríamos enlouquecer, recolhermo-nos ao hospício ou ter coragem de amarrar uma corda ao pescoço e dar o mergulho decisivo. Essas idéias, repetidas, vexavam-me; tanto me embrenhara nelas que me sentia inteiramente perdido.” São Bernardo Com uma narrativa seca e sem rodeios, Paulo Honório, um homem duro e ambicioso, narra, em primeira pessoa, a sua trajetória: de vendedor de doces, guia de cegos, trabalhador rural a proprietário da bela fazenda São Bernardo. Para tornar-se proprietário da fazenda São Bernardo, Paulo utiliza-se de meios moralmente discutíveis: aproveita-se das dificuldades financeiras e dos vícios de Padilha, antigo proprietário. Depois de conquistar a fazenda, torna a propriedade rentável e consegue estabilizar-se financeiramente. Falta-lhe, no entanto, um herdeiro. Então Paulo Honório se casa com Madalena. No entanto, o ciúme doentio que sentia por Madalena leva a esposa ao suicídio. No final, Paulo Honório acaba sozinho. Como ele mesmo diz, não possuirá sequer a amizade do filho. Resta-lhe apenas escrever suas memórias e reconhecer a culpa pela morte da mulher e pelo estrago que fez em sua vida. Mesmo assim ainda tenta se justificar: "A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste." Caetés Angústia Marco do romance moderno brasileiro, "Angústia" é a expressão máxima do embate, entre a subjetividade do escritor e a realidade objetiva e sempre opressora, que se revela na figura de um pequeno funcionário e sua consciência de condenado à mediocridade. "Angústia", juntamente com os romances anteriores, "Caetés" e "São Bernardo", leva a termo a obsessiva pesquisa de Graciliano Ramos sobre a alma humana. Dela sobrevêm a ebulição do eu que se oculta nos subterrâneos e que necessariamente se opõe à aparente tranqüilidade da superfície conformada ao mundo. A subjetividade que surge desse embate, a dos desejos reprimidos, aspirações frustradas, consciência de danação, personifica-se em Luis da Silva, frustrado funcionário que se apaixona por sua vizinha, a fútil Marina, pela qual, após ter acertado casamento, é abandonado por seu duplo e opositor Julião Tavares. A disposição mórbida do narrador em relação ao mundo e a si mesmo transparece na estrutura da obra que se enriquece ao dividir-se entre o tempo presente da objetividade, o tempo pretérito das reminiscências e a atemporalidade da subjetividade deformadora. É em delírio que Luis da Silva nos conta sua história, imerso em uma atmosfera sufocante e opressiva de autodestruição moral que se estende ao mundo e aos seus semelhante |
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