::. José Lins do Rego ( 1901 -1957 )
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» Fogo Morto

Fogo Morto é considerado pela crítica como a "obra-prima de José Lins do Rego". Esse romance, que faz parte do ciclo da cana de açúcar, gira em torno do engenho Santa Fé, desde a sua fundação e ascensão até a sua decadência, quando o engenho é transformado em "fogo morto", ou seja, é desativado.

O romance, que devido à descrição da vida social e psicológica dos engenhos da Paraíba pode ser aproximado aos romances realistas, tem também várias características do Modernismo, dentre as quais destaca-se: a linguagem cotidiana, ou seja, o autor procura aproximar o seu texto da linguagem falada.
Fogo Morto é dividido em três partes, cada uma delas com foco em um personagem diferente:

O Mestre José Amaro
O Mestre seleiro José Amaro foi trazido por seu pai, o velho Amaro, ao Engenho Santa Fé. Trabalha em frente de casa, à beira da estrada, por onde passam os diversos moradores do engenho. José Amaro é um homem revoltado e que tem um enorme problema de adaptação com o mundo. Devido ao seu costume de andar sozinho no meio da noite, o povo das redondezas passou chamá-lo lobisomem. Sujeito infeliz, coloca a culpa dessa infelicidade em sua esposa, Sinhá, e na filha Marta, que ficou louca. José Amaro apoiava o cangaceiro Antônio Silvino, pois ele "levava justiça aos pobres" e "colocava medo nos grandes".
Não suportando as frustrações e a solidão causadas, sobretudo, pela intimação recebida para abandonar o Engenho, devido as desavenças com o "negro Floripes", e por ter sido abandonado pela esposa e pela filha, Mestre José Amaro suicida-se.

O Engenho de Seu Lula
Na segunda parte do Romance há um longo flashback, ou seja, o autor retrocede no tempo para narrar as origens do Engenho de Santa Fé, que foi fundado pelo capitão Tomás Cabral de Melo. O engenho prosperou muito durante o período em que era dirigido pelo capitão Tomás, mas, quando o seu genro, Luís César de Holanda Chacon, o seu Lula, assumiu o controle do Engenho, o Santa Fé declinou rapidamente. Seu Lula é um coronel falido, que mantêm a pose da época áurea da escravatura. Ele sempre maltratou os negros. Por isso, logo após a abolição, todos o abandonaram exceto o negro Macário.

Capitão Vitorino Carneiro da Cunha
A terceira parte gira em torno da figura do Capitão Vitorino, compadre de Mestre Amaro e que, até a segunda parte do romance, era visto apenas como motivo de zombaria. O capitão Vitorino falava de tudo o que não gostava, inclusive do governo, do cangaço e dos senhores de engenho.
Na terceira parte do romance o Coronel Vitorino é apresentado como uma espécie de Dom Quixote, ou seja, um homem "valente" que passa situações sublimes como também por outras totalmente ridículas. Apesar disso, ele vive lutando e brigando por justiça e igualdade, sempre em defesa dos humildes contra os poderosos da terra.


» Menino do engenho

Na obra "Menino do engenho" Carlos Melo narra, com um tom saudoso, a infância vivida no engenho Santa Rosa. Carlos, ou melhor, Carlinhos, ficou órfão de pai e mãe e foi viver no engenho Santa Rosa, que pertencia ao seu avô materno, o Coronel José Paulino. A infância de Carlinhos "dividida" entre o "bem e o mal", ou seja, na companhia de sua tia seu comportamento era mais terno, já quando convivia com seus primos era extrovertido e libertino dos primos.

Vivendo no engenho, Carlinhos conheceu as desigualdades sociais entre os senhores de engenho e os seus empregados; o cangaço, ele chegou a pedir ao cangaceiro Antônio Silvino para segui-lo junto ao bando; e, ali, Carlinhos conheceu também o amor, primeiro com a prima Lili, que veio a falecer ainda criança e, depois com outra prima, chamada Maria Clara, que morava no Recife e foi passar alguns dias no engenho. Maria Clara era um pouco mais velha que Carlinhos e, contava a ele as diversões e novidades da cidade. Mas o romance durou pouco, a prima voltou para Recife e, logo em seguida, Carlinhos perdeu a sua "segunda mãe", sua tia Maria casou-se e o garoto ficou aos cuidados da fria e austera tia Sinhazinha.

No entanto, a Austeridade da tia Sinhazinha faz com que Carlinhos torne-se ainda mais libertino a ponto de o garoto, com apenas doze anos, ficar gálico (sífilis).

A saída encontrada para colocar o garoto nos "eixos" foi enviá-lo para o colégio.


» Riacho doce

Neste obra, José Lins do Rego une amor e petróleo.Um casal de suecos vem para Alagoas - Brasil e a loura Edna se extasia com a força tropical do Brasil, que ela descobre. Apaixona-se por um mestiço nordestino, Nô, uma das figuras mais empolgantes de toda a ficção numerosa e rica José Lins. O amor de Edna e Nô é o núcleo desse romance que é um dos mais ardentemente humanos de mestre José Lins do Rego, esse contador de histórias inesgotável, impregnado de oralidade.
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