O fato de o Pré-Modernismo ter se desenvolvido praticamente junto com o Simbolismo e o fim do Realismo faz com que o momento histórico desses movimentos estejam muito próximos e por vezes se completem. Por isso, é aconselhável consultar também o Momento Histórico do Realismo.


Oficialmente o Pré-Modernismo teve início em 1902, mas como nos últimos anos do sec. XIX e início do sec. XX tivemos três correntes literárias que caminharam praticamente juntas, iniciaremos o momento histórico Pré-Modernismo no ano de 1894, quando o fazendeiro paulista Prudente José de Morais e Barros foi eleito o primeiro presidente civil.
Ele assumiu a Presidência da República em uma época em que o país passava por uma forte depressão econômica resultante do encilhamento (Fase de grande especulação na Bolsa de Valores devido às facilidades de crédito e a liberdade que foi dada aos bancos).
Além disso, teve que enfrentar a Guerra de Canudos, que eclodiu no interior da Bahia e terminou com o extermínio de cerca de 25 mil pessoas.

Em 1898, Manuel Ferraz de Campos Sales, outro fazendeiro paulista, assumiu o a presidência da República. Em seu governou, que durou até 1902, Campos Sales tentou valorizar a moeda nacional. Para isso, renegociou a divida externa do país com banqueiros estrangeiros e fechou um acordo denominado Funding Loan, pelo qual ficavam suspensos durante algum tempo os pagamentos de juros dos empréstimos anteriores, contraindo-se, para isso, novo empréstimo.

Para garantir a tranqüilidade de sua administração Campos Sales organizou a chamada "política dos governadores". Que consistia na troca de favores entre os governos federal e estaduais, ou seja, os governos estaduais apoiavam o presidente e, em troca, o recebiam tudo o que pediam. Como se pode ver, essa política marginaliza as classes médias e o proletariado. Esses dois primeiros governos republicanos marcam o inicio da política do café-com-leite. Essa expressão passou a ser usada porque, com o fim da oligarquia do açúcar substituída pela do café, os presidentes da republica eram revezados por políticos de São Paulo (maior produtor de café) e de Minas Gerais (maior produtor de leite).

Em 1902 Francisco de Paula Rodrigues Alves, outro fazendeiro de café paulista, assumiu o governo, que durou até 1906. Durante o seu governo modernizou o Rio de Janeiro, comprou o Acre, erradicou a febre amarela, em projeto comandado pelo médico e cientista Osvaldo Cruz, e fez uma campanha pela obrigatoriedade da vacina de varíola. Essa medida não foi bem aceita pela população, pois ia contra a liberdade individual. Aproveitando-se da situação, algumas pessoas, militares e civis, tentaram um golpe revolucionário,conhecido como a Revolta da Vacina. O governo feriu alguns dos vários líderes do movimento e então os outros abandonaram a luta. Dessa forma o governo pode continuar sua administração.

Cabe aqui uma observação: O motivo dessa revolta não foi simplesmente à vacina obrigatória. Os verdadeiros motivos foram: o desemprego; a política dos governadores, imposta por Campos Sales e seguida por Rodrigues Alves; e a modernização do Rio de Janeiro, que desabrigou milhares de pessoas com a demolição dos cortiços.

No ano de 1906 o mineiro Afonso Augusto Moreira Pena assumiu o governo, apoiado pelos fazendeiros de café. Esse foi um período de prosperidade, porém, ainda persistiam problemas como a miséria das classes proletárias e a corrupção política. A antiga aristocracia rural da cana-de-açúcar decaíra completamente; os patriarcais fazendeiros de café começaram a sofrer a concorrência das novas classes urbanas e industriais que procuravam afirmar-se na direção política. Afonso Pena, que morreu em 1909, um ano antes de acabar o seu governo, investiu muito na compra e estoque do café para forçar a sua alta. Além disso, apoiou um amplo programa ferroviário desenvolvido pelo ministro Miguel Calmon, que completou as ligações São Paulo - Rio Grande do Sul - Rio de Janeiro - Espírito Santo e estimulou a imigração, que trouxe para o País uma grande leva de europeus, em sua maioria, italianos.

Após a morte de Afonso Pena, o seu vice, Nilo Peçanha, assumiu a presidência. Durante o seu governo, que durou até 1910, foi criado o SPI - Serviço de Proteção ao Índio e desenvolveu-se a campanha eleitoral para o período seguinte disputada entre Rui Barbosa, que defendia a predominância de um civil no governo, e o marechal Hermes da Fonseca, que além de gozar do prestígio das classes armadas, estava alinhado com os interesses dos grades produtores de café. O vencedor foi Hermes da Fonseca, que governou de 1910 a 1914. Apesar de contar com o apoio dos cafeicultores e dos militares, o seu governo foi muito tumultuado: Além da revolta dos marinheiros contra o regime de castigos corporais ainda vigente na Marinha (também conhecida como Revolta da Chibata), da Guerra do Contestado e da Revolta do Juazeiro no Ceará, liderada pelo Padre Cícero, teve que enfrentar a retração de capitais estrangeiros causado pela instabilidade política e pela decadência da Borracha na Amazônia.

Em 1914 Venceslau Brás Pereira Gomes assumiu a presidência e governou durante o período da Primeira Guerra Mundial. Por causa da guerra as exportações caíram e, como era impossível importar produtos fabris, houve um surto industrial, que mudou um pouco a nossa estrutura tradicionalmente agrícola. Além disso, no ano de 1917 houve os primeiros movimentos grevistas em São Paulo e, nos últimos meses do seu governo, o País foi atingido pela terrível epidemia conhecida pelo nome de "gripe espanhola", que matou cerca de 18.000 pessoas.

Em 1918 Rodrigues Alves foi eleito mais um vez presidente da República, porém, morreu antes da posse e Delfim Moreira, o seu vice, assumiu o cargo. Após novas eleições Epitácio da Silva Pessoa foi eleito e governou de 1919 a 1922. Por ser nordestino e conhecer de perto o problema da seca nessa região, investiu muito na construção de açudes, poços e vias férreas locais. O final de sua administração foi agitadíssimo: a campanha do futuro presidente Artur Bernardes foi desenvolvida sob uma permanente ameaça revolucionária e no ano de 1922 houve a realização da Semana de Arte Moderna, que marca o início do Modernismo. Para saber um pouco mais sobre esse período consulte o Momento Histórico do Modernismo.

Como se pode ver no texto acima e no esquema abaixo, nas primeira décadas do século XX o Basil sofreu com muito com revoltas, guerras e greves, resultantes da forte tensão social, que dividiu a sociedade brasileira em proletariado e burguesia.