Desde o início dos anos 60 os estudantes de Coimbra acompanhavam atentamente a todas as novidades culturais que aconteciam na Europa. Esse interesse intensificou-se em 1864 quando foi inaugurado o caminho-de-ferro de Beira Alta, que ligava Coimbra a Paris, pois facilitou o acesso aos livros publicados nos demais países do continente europeu. Por isso, não demorou mito para que chegassem a Portugal a poesia social de Vitor Hugo e as novas doutrinas filosóficas e sociais, que corriam pelo resto do continente.

nfluenciados por essas novas idéias, os jovens de Coimbra passaram a ter uma preocupação social voltada para o momento presente, deixando para trás todos os tipos de idealizações Românticas. Esse grupo de intelectuais, conhecidos também como a geração de 70, era composto por Antero de Quental, Teófilo Braga, Guerra Junqueiro, Oliveira Martins etc.
Como era de se esperar, essa nova postura adota pela geração de 70 causou uma série de divergências com os velhos e já consagrados autores Românticos. Esses "atritos" intensificaram-se a partir de 1864 com a publicação das obras: "Visão dos tempos" e "Tempestade", ambas de Teófilo Braga, e "Odes Modernas", de Antero de Quental. Essas obras eram revolucionárias pois apresentavam uma nítida preocupação social e, ao mesmo tempo, eram uma espécie de ataque à poesia inocente e sem compromisso praticada pelos Românticos.

A resposta Romântica a esse ataque veio no ano seguinte quando o poeta Pinheiro Chagas publicou o livro "Poema da Mocidade" No posfácio dessa obra foi divulgado uma carta do poeta Romântico e mentor da escola de Lisboa, Antônio Feliciano de Castilho, endereçada ao editor, criticando duramente a poesia de Teófilo Braga e a de Antero de Quental. Em represália, Antero de Quental escreve uma pequena obra intitulada "Bom senso e Bom Gosto", defendendo a postura da poesia Realista e atacando duramente a figura de Castilho. Sem ficar atrás, Teófilo Braga publica o folheto "Teocracias Literárias", no qual critica a influência dos velhos Românticas. Algum tempo depois. Camilo Castelo Branco lança o folheto "Vaidades Irritadas e Irritanes", defendendo a posição dos Românticos.

Depois desses conflitos iniciais, vários folhetos de ambas as partes, foram publicados em Portugal. Essa polêmica só terminou no ano de 1871 com o Ciclo das Conferências Democráticas, realizado no casino Lisbonense. Essas conferências públicas tinham como objetivo a popularização de questões sociais que circulavam por toda a Europa, visando a modernização de Portugal, que, se comparado aos demais países europeus, estava muito atrasado. Apenas cinco, das dez conferências previstas, forma realizadas. O Governo proibiu a realização das demais e fechou o cassino, alegando que as conferências atacavam a Igreja e ao Estado.
Ao contrário do que se possa esperar, a atitude de cancelar as conferências tomada pelo Governo determinou, de uma vez por todas, a vitória dos jovens Realistas sobre os velhos Românticos.

Os temas abordados nas Conferências eram os seguintes:

1 - "O espírito das Conferências", 22 de maio de 1871, apresentada por Antero de Quental
2 - "Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos Últimos Três Séculos", 27 de maio de 1871, apresentada por Antero de Quental
3 - "Literatura e Língua Portuguesa", 5 de junho de 1871, apresentada por Augusto Soromenho
4 - "O Realismo como Nova Expressão da Arte", apresentada por Eça de Queirós
5 - "O Ensino", 19 de junho 1871, apresentada por Adolfo Coelho
6 - "Os Historiadores Críticos de Jesus", programada para ser apresentada por Salomão Sáraga em 26 de junho, porém, foi impedida pelo Governo de ser pronunciada
7 - "O Socialismo" - Não apresentada
8 - "A República" - Não Apresentada
9 - "A Instrução Primária" - Não Apresentada
10- "Dedução Positiva da Idéia Democrática" - Não apresentada