::. Camilo Castelo Branco (1825 - 1890)
Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco teve uma vida que pode ser confundida com uma de suas próprias novelas, ou seja, uma vida dramática e tão cheia de atribulações que chega a espelhar as histórias que escreveu.

Nascido em Lisboa a 16 de Março de 1825, na freguesia dos Mártires, Camilo ficou órfão de mãe aos dois anos e de pai aos dez, passando a ser criado por uma tia e uma irmã. Aos 16 anos casou-se com Joaquina Pereira e, dois anos depois, em 1843, matricula-se na Faculdade de Medicina, porém, não conclui o curso. A partir de 1848, passa a viver do jornalismo e a freqüentar a boêmia.


Quando completa 21 anos, rapta Patrícia Emília e vai viver com ela na cidade do Porto. Logo depois é acusado e preso por bigamia. Depois de conseguir a liberdade, Camilo tem alguns amores passageiros até encontrar, por volta de 1856, Ana Plácido, a "mulher de sua vida". Essa nova relação amorosa, no entanto, não é nada tranqüila, uma vez que Ana é casada com Pinheiro Alves, um rico comerciante local.
Na impossibilidade de concretizar o seu amor, Camilo busca refúgio na religião e ingressa no Seminário do Porto, porém passa a ter um caso amoroso com a freira Isabel Cândida. Camilo permanece nesse seminário por dois anos e, depois de tentar o suicídio, consegue viver junto à sua amada, que abandona o marido para viver com o escritor. Logo depois o casal é preso pelo crime de adultério. Os dois são julgados, absolvidos e vão morar em Lisboa.

Camilo e Ana têm dois filhos com problemas de saúde e, por isso, enfrentam sérios problemas financeiros. Para garantir a sobrevivência da família, Camilo passa a escrever por encomenda, tornando-se o primeiro escritor português a viver exclusivamente da literatura. Em 1888 Ana e Camilo finalmente se casam. Ainda nesse ano o escritor começa a sentir os primeiros sintomas de cegueira, causada por uma sífilis crônica. Em 1890, a novela da vida de Camilo chega ao fim. Ele suicida-se com um tiro de pistola em 1º de junho.

O fato de ter de sobreviver da literatura fez com que Camilo Castelo Branco concentrasse seus esforços na produção de novelas (narração, usualmente curta, ordenada e completa, de fatos humanos fictícios, mas, por via de regra, verossímeis). Isso se deu porque esse gênero literário agradava ao novo público consumidor, tornando-se assim de fácil consumo.

Dentre a vasta obra composta por Camilo Castelo Branco podemos encontrar novelas de terror, satíricas, históricas e as passionais. Essas últimas compõem o gênero que mais caracteriza o ultra-romantismo português. Nelas são apresentadas personagens que, devido os obstáculos encontrados para a realização do amor, tornam-se verdadeiros mártires desse sentimento. As obras que merecem maior destaque são:
"Amor de Perdição" (1862);
"O Irônico Coração" (1862);
"Cabeça e Estômago" (1862); e
"Amor de Salvação" (1864)

Links
Análises
Amor de Perdição
Confira!
Veja Também: